Carmen Miranda sempre foi destaque em nossas publicações. Perdi as contas de quantas vezes publicamos fotos, artigos e homenagens a Pequena Notável. Mesmo que multiplicássemos tudo o que já foi publicado no Campinarte por mil, ainda assim seria poucou (quase nada) para reverenciar o talento de um verdadeiro mito da música brasileira. (Huayrãn Ribeiro)
Ouça: Adeus batucada / Cachorro vira-lata / Alô...Alô! / Chica Chica Boom Chic
Cantora, atriz e dançarina. Seu nome verdadeiro era Maria do Carmo Miranda da Cunha. Mito maior da música popular no Brasil, foi a artista brasileira que mais sucesso e prestígio alcançou na indústria do entretenimento dos Estados Unidos, para onde imigrou. Primeira artista a decolar para o sucesso por meio dos discos, foi também a cantora de rádio mais cara do Brasil. Chamada de "A Pequena do It na Voz e no Gesto", "Rainha do Samba" e "Ditadora Risonha do Samba", a partir de 1935, ganhou seu "slogan" definitivo: "A Pequena Notável", que lhe foi dado pelo célebre cantor-apresentador César Ladeira. Nos Estados Unidos, ficou conhecida como "Brazilian Bombshell". Nasceu em Portugal, na pequena aldeia de Marco de Canavezes, Distrito do Porto, vindo para o Brasil com apenas 18 meses. Seu pai, José Maria Pinto da Cunha, que exercia a profissão de barbeiro, imigrou para o Brasil primeiro. A mãe, Maria Emília Miranda da Cunha, veio em seguida, trazendo a pequena Carmen e a outra filha mais velha, Olinda. A família cresceu no Brasil com o nascimento de mais quatro irmãos, Amaro, Cecília, Aurora e Oscar. Moraram inicialmente em um quarto de aluguel na Rua da Candelária; depois transferiram-se para a Rua Joaquim Silva, na Lapa, até resolver abrir uma pensão. Encontraram uma grande casa na Travessa do Comércio, nº 13, na Praça XV, e para lá se mudaram. A mãe assumiu a direção da pensão que fornecia refeições a empregados do comércio e ainda aceitava hóspedes. O estabelecimento logo passou a ser freqüentado por músicos da época, como Pixinguinha e seu grupo que eram assíduos. Ainda menina, estudou alguns anos num colégio de freiras, a Escola Santa Tereza, que atendia a crianças humildes, situado no bairro da Lapa, Centro do Rio. Na infância era chamada pelos apelidos de Bituca e de Carmen por seus familiares. Ainda adolescente aprendeu a costurar com a irmã Olinda. Com apenas 15 anos começou a trabalhar como balconista de lojas de roupas femininas, de chapéus e gravatas. Na Maison Marigny, aprendeu a decorar chapéus femininos e logo depois já estava empregada como aprendiz na loja La Femme Chic, no Centro do Rio, onde passou a confeccionar chapéus orientada por Madame Boss. Desde menina demonstrou inclinação para a música, cantando para os amigos em festas, acompanhando os programas radiofônicos de então e imitando as cantoras que faziam sucesso na época, como Araci Cortes. Na década de 30, teve um namorado, que ela declarou ter sido o grande amor de sua vida, o remador do Flamengo Mário Cunha. (Saiba mais no site Collector's Stúdios Ltda)
Carmen Miranda por Ricardo Cravo Albin / Carmen Miranda também vem merecendo citações, livros e artigos em praticamente todo o mundo, que a incensam como um ícone do exagero tropicalista brasileiro, da luxuriante “extravaganza” musical de Hollywood nos anos 40 e até da alegria desenfreada que sua figura emitia. Figura que era uma rara conjugação de olhos, mãos e corpo inteiro ondulante, cujo ponto culminante estava não só nos turbantes recheados com frutas dos trópicos, como nas frases metralhadas em português dentro do seu inglês de forte sotaque latino-americano. Mas quem foi, lá no fundo da alma, essa portuguesa de nascimento (Marco de Canavezes, vila de colhedores de nobre vinhedo, perto do Porto), que veio morar no Rio com apenas um ano de idade?Vale dizer que Carmen Miranda foi: 1 — a rainha absoluta da época de ouro da MPB no Brasil (1930-1940), gravando dezenas de sucessos. Um filete de voz projetado com tal charme e “swing”, que logo conquistaria o país e deixaria no chinelo sua inspiradora, a supervedete Aracy Cortes; 2 — a rainha absoluta de Hollywood entre 1941 e 1949, quando chegou a ser a estrela de cinema mais bem paga do mundo, estrelando filmes de qualidade até duvidosa (reconheço), mas iluminados por sua personalidade magnética. Quem duvidar que faça um exercício: veja no vídeo qualquer filme da Carmen e tente tirar os olhos dela quando aparece em cena. Como resistir a um ser quase de um outro planeta?Carmen foi, sim, um ser especialíssimo e iluminado: bem-humorada e feliz, era capaz de dizer palavrões com uma graça tal, que ninguém se dava conta dos ditos cabeludos, insuportáveis em qualquer outra mulher de sua época. Só que, mesmo cercada pelo namorado Aluysio de Oliveira (do Bando da Lua), teve que curvar-se ao catolicismo de sua mãe. E, para satisfazê-la, casou-se. Com o homem errado, o produtor David Sebastian. Data daí, do casamento, seu infortúnio e sua perdição. O marido, quase um rufião, explorava-lhe como empresário e a torturava como homem, chegando ao desatino de lhe aplicar pancadas em público. O que a levou quase à loucura e ao trágico fim, provocado pela ingestão de excitantes (bolinhas) para acordar, dormir e até se alimentar.Ou seja, vivendo nas telas a “féerie” do samba saltitante, vivia em casa o drama soturno do bolero mexicano mais chinfrim. Não poderia dar bom resultado. Por isso tudo, Carmen sucumbiu aos 46 anos. Morte prematura que ajudou, a meu ver, a preservar o mito e a “persona” que ela representava com frescor e vivacidade.
Cantora, atriz e dançarina. Seu nome verdadeiro era Maria do Carmo Miranda da Cunha. Mito maior da música popular no Brasil, foi a artista brasileira que mais sucesso e prestígio alcançou na indústria do entretenimento dos Estados Unidos, para onde imigrou. Primeira artista a decolar para o sucesso por meio dos discos, foi também a cantora de rádio mais cara do Brasil. Chamada de "A Pequena do It na Voz e no Gesto", "Rainha do Samba" e "Ditadora Risonha do Samba", a partir de 1935, ganhou seu "slogan" definitivo: "A Pequena Notável", que lhe foi dado pelo célebre cantor-apresentador César Ladeira. Nos Estados Unidos, ficou conhecida como "Brazilian Bombshell". Nasceu em Portugal, na pequena aldeia de Marco de Canavezes, Distrito do Porto, vindo para o Brasil com apenas 18 meses. Seu pai, José Maria Pinto da Cunha, que exercia a profissão de barbeiro, imigrou para o Brasil primeiro. A mãe, Maria Emília Miranda da Cunha, veio em seguida, trazendo a pequena Carmen e a outra filha mais velha, Olinda. A família cresceu no Brasil com o nascimento de mais quatro irmãos, Amaro, Cecília, Aurora e Oscar. Moraram inicialmente em um quarto de aluguel na Rua da Candelária; depois transferiram-se para a Rua Joaquim Silva, na Lapa, até resolver abrir uma pensão. Encontraram uma grande casa na Travessa do Comércio, nº 13, na Praça XV, e para lá se mudaram. A mãe assumiu a direção da pensão que fornecia refeições a empregados do comércio e ainda aceitava hóspedes. O estabelecimento logo passou a ser freqüentado por músicos da época, como Pixinguinha e seu grupo que eram assíduos. Ainda menina, estudou alguns anos num colégio de freiras, a Escola Santa Tereza, que atendia a crianças humildes, situado no bairro da Lapa, Centro do Rio. Na infância era chamada pelos apelidos de Bituca e de Carmen por seus familiares. Ainda adolescente aprendeu a costurar com a irmã Olinda. Com apenas 15 anos começou a trabalhar como balconista de lojas de roupas femininas, de chapéus e gravatas. Na Maison Marigny, aprendeu a decorar chapéus femininos e logo depois já estava empregada como aprendiz na loja La Femme Chic, no Centro do Rio, onde passou a confeccionar chapéus orientada por Madame Boss. Desde menina demonstrou inclinação para a música, cantando para os amigos em festas, acompanhando os programas radiofônicos de então e imitando as cantoras que faziam sucesso na época, como Araci Cortes. Na década de 30, teve um namorado, que ela declarou ter sido o grande amor de sua vida, o remador do Flamengo Mário Cunha. (Saiba mais no site Collector's Stúdios Ltda)
Carmen Miranda por Ricardo Cravo Albin / Carmen Miranda também vem merecendo citações, livros e artigos em praticamente todo o mundo, que a incensam como um ícone do exagero tropicalista brasileiro, da luxuriante “extravaganza” musical de Hollywood nos anos 40 e até da alegria desenfreada que sua figura emitia. Figura que era uma rara conjugação de olhos, mãos e corpo inteiro ondulante, cujo ponto culminante estava não só nos turbantes recheados com frutas dos trópicos, como nas frases metralhadas em português dentro do seu inglês de forte sotaque latino-americano. Mas quem foi, lá no fundo da alma, essa portuguesa de nascimento (Marco de Canavezes, vila de colhedores de nobre vinhedo, perto do Porto), que veio morar no Rio com apenas um ano de idade?Vale dizer que Carmen Miranda foi: 1 — a rainha absoluta da época de ouro da MPB no Brasil (1930-1940), gravando dezenas de sucessos. Um filete de voz projetado com tal charme e “swing”, que logo conquistaria o país e deixaria no chinelo sua inspiradora, a supervedete Aracy Cortes; 2 — a rainha absoluta de Hollywood entre 1941 e 1949, quando chegou a ser a estrela de cinema mais bem paga do mundo, estrelando filmes de qualidade até duvidosa (reconheço), mas iluminados por sua personalidade magnética. Quem duvidar que faça um exercício: veja no vídeo qualquer filme da Carmen e tente tirar os olhos dela quando aparece em cena. Como resistir a um ser quase de um outro planeta?Carmen foi, sim, um ser especialíssimo e iluminado: bem-humorada e feliz, era capaz de dizer palavrões com uma graça tal, que ninguém se dava conta dos ditos cabeludos, insuportáveis em qualquer outra mulher de sua época. Só que, mesmo cercada pelo namorado Aluysio de Oliveira (do Bando da Lua), teve que curvar-se ao catolicismo de sua mãe. E, para satisfazê-la, casou-se. Com o homem errado, o produtor David Sebastian. Data daí, do casamento, seu infortúnio e sua perdição. O marido, quase um rufião, explorava-lhe como empresário e a torturava como homem, chegando ao desatino de lhe aplicar pancadas em público. O que a levou quase à loucura e ao trágico fim, provocado pela ingestão de excitantes (bolinhas) para acordar, dormir e até se alimentar.Ou seja, vivendo nas telas a “féerie” do samba saltitante, vivia em casa o drama soturno do bolero mexicano mais chinfrim. Não poderia dar bom resultado. Por isso tudo, Carmen sucumbiu aos 46 anos. Morte prematura que ajudou, a meu ver, a preservar o mito e a “persona” que ela representava com frescor e vivacidade.