Estados Unidos. Junho de 1939. Com seis minutos num quadro do musical Streets of Paris, Carmen Miranda, acompanhada do Bando da Lua, provoca furor na Broadway. No repertório, Mamãe Eu Quero, Touradas em Madri, cantadas em português. Sem entender palavra, o público fica fascinado pela brazilian bombshell, que fala com olhos, mãos e quadris.
Carmen Miranda assinou contrato com a 20th Century Fox. Estrelou 14 filmes, fazendo sucesso durante 15 anos. Talento inato. Em 1946, a atriz mais bem paga da América. Milionária, comprou mansão em Beverly Hills, poços de petróleo, coleções de jóias, roupas e sapatos. Um fenômeno que se transformou em mito internacional.
BRASILEIRA, SIM!
Carmen nasceu Maria do Carmo Miranda da Cunha, em 1909, em Marco de Canaveses, Portugal. Ganhou o apelido de um tio, em homenagem à heroína da ópera Carmen, de Bizet. Com um ano veio para o Rio com a família. Nunca mais voltou ao país de origem.
Ex-candidata a freira, balconista, aprendiz de chapelaria e modista. Na juventude cantava em festas. Conheceu o professor e violonista Josué de Barros. O músico empolgou-se com ela e levou-a para gravar o primeiro disco, em 1929, pela Brunswick. Em 1930, o primeiro sucesso: a marchinha Taí, de Joubert de Carvalho.
No cinema brasileiro estrelou cinco filmes. Em Banana da Terra (1939), interpretando O Que É Que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi, aparece pela primeira vez no estilo que a consagrou: vestida de baiana, turbantes, balangandãs, sandália-plataforma, cílios postiços.
Em 1939, acompanhada pelo Bando da Lua em show no Cassino da Urca, no Rio, é vista pelo empresário americano Lee Schubert. Recebe convite para a Broadway.
ESTOURO DE MULHER
Quando partiu para os Estados Unidos em 1939, Carmen já havia gravado quase 300 músicas. Taí chegou a 36 mil cópias. Nenhuma outra cantora havia vendido tanto. Carmen não tinha grande técnica. E sabia do pequeno alcance de sua voz. Tanto que aperfeiçoou isso e investiu uma fortuna em equipamento de microfone e alto-falantes para compensar as dificuldades. Mas era intérprete divertida e original. Criou um estilo. Seu repertório era malicioso, bem-humorado e brasileiríssimo. No palco, gigantesca e atraente. Media 1m53, mas usava sandálias-plataforma. Na cabeça, pôs os chapéus mais loucos da história. Figurino provocante; coxas e barriguinha de fora; quadris remexendo. Exalava energia, graça e sensualidade. A verdadeira brazilian bombshell: um estouro brasileiro.
NEM TUDO FOI GLÓRIA
Em 1940 Carmen volta ao Rio e, surpresa, o público a vaia em show no Cassino da Urca. Acharam que estava americanizada. Com o baque, só retornou ao País 14 anos mais tarde, quando o casamento já desmoronava e a saúde fraquejava.
Conheceu o marido na gravação de um filme, o assistente de produção David Sebastian. Casaram em 1947. Contam que o marido a humilhava, a maltratava e a consumia. Problemas no casamento, excesso de trabalho. Dormia sob efeito de tranqüilizantes e precisava de estimulantes para trabalhar. Dependente química, andou levando choques elétricos para ver se equilibrava a tensão.
Ao contrário do que imaginava, quando desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio, em 1954, houve festas e homenagens. Lotou todos os lugares em que se apresentou. Ao voltar para Hollywood, reencontrou o marido tirânico, agenda lotada. E a morte, poucos meses depois, em 5 de agosto de 1955. Fulminante ataque cardíaco, aos 46 anos. No enterro, meio milhão de pessoas acompanharam o trajeto pelas ruas do Rio. Coisa igual só se havia visto um ano antes, na morte de Getúlio Vargas.
Janaina Abreu
Carmen Miranda assinou contrato com a 20th Century Fox. Estrelou 14 filmes, fazendo sucesso durante 15 anos. Talento inato. Em 1946, a atriz mais bem paga da América. Milionária, comprou mansão em Beverly Hills, poços de petróleo, coleções de jóias, roupas e sapatos. Um fenômeno que se transformou em mito internacional.
BRASILEIRA, SIM!
Carmen nasceu Maria do Carmo Miranda da Cunha, em 1909, em Marco de Canaveses, Portugal. Ganhou o apelido de um tio, em homenagem à heroína da ópera Carmen, de Bizet. Com um ano veio para o Rio com a família. Nunca mais voltou ao país de origem.
Ex-candidata a freira, balconista, aprendiz de chapelaria e modista. Na juventude cantava em festas. Conheceu o professor e violonista Josué de Barros. O músico empolgou-se com ela e levou-a para gravar o primeiro disco, em 1929, pela Brunswick. Em 1930, o primeiro sucesso: a marchinha Taí, de Joubert de Carvalho.
No cinema brasileiro estrelou cinco filmes. Em Banana da Terra (1939), interpretando O Que É Que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi, aparece pela primeira vez no estilo que a consagrou: vestida de baiana, turbantes, balangandãs, sandália-plataforma, cílios postiços.
Em 1939, acompanhada pelo Bando da Lua em show no Cassino da Urca, no Rio, é vista pelo empresário americano Lee Schubert. Recebe convite para a Broadway.
ESTOURO DE MULHER
Quando partiu para os Estados Unidos em 1939, Carmen já havia gravado quase 300 músicas. Taí chegou a 36 mil cópias. Nenhuma outra cantora havia vendido tanto. Carmen não tinha grande técnica. E sabia do pequeno alcance de sua voz. Tanto que aperfeiçoou isso e investiu uma fortuna em equipamento de microfone e alto-falantes para compensar as dificuldades. Mas era intérprete divertida e original. Criou um estilo. Seu repertório era malicioso, bem-humorado e brasileiríssimo. No palco, gigantesca e atraente. Media 1m53, mas usava sandálias-plataforma. Na cabeça, pôs os chapéus mais loucos da história. Figurino provocante; coxas e barriguinha de fora; quadris remexendo. Exalava energia, graça e sensualidade. A verdadeira brazilian bombshell: um estouro brasileiro.
NEM TUDO FOI GLÓRIA
Em 1940 Carmen volta ao Rio e, surpresa, o público a vaia em show no Cassino da Urca. Acharam que estava americanizada. Com o baque, só retornou ao País 14 anos mais tarde, quando o casamento já desmoronava e a saúde fraquejava.
Conheceu o marido na gravação de um filme, o assistente de produção David Sebastian. Casaram em 1947. Contam que o marido a humilhava, a maltratava e a consumia. Problemas no casamento, excesso de trabalho. Dormia sob efeito de tranqüilizantes e precisava de estimulantes para trabalhar. Dependente química, andou levando choques elétricos para ver se equilibrava a tensão.
Ao contrário do que imaginava, quando desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio, em 1954, houve festas e homenagens. Lotou todos os lugares em que se apresentou. Ao voltar para Hollywood, reencontrou o marido tirânico, agenda lotada. E a morte, poucos meses depois, em 5 de agosto de 1955. Fulminante ataque cardíaco, aos 46 anos. No enterro, meio milhão de pessoas acompanharam o trajeto pelas ruas do Rio. Coisa igual só se havia visto um ano antes, na morte de Getúlio Vargas.
Janaina Abreu
