Homenageado do mês de Novembro / Paulinho da Viola / Paulo César Batista de Faria - 12/11/1942 Rio de Janeiro, RJ / Compositor. Cantor. Instrumentista..

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Este blog irá gradativamente estreitar os seus laços com as Rádios Comunitárias que desenvolvem um papel importantíssimo em nossos bairros.
A Rádio Campinarte tem (fundamentalmente) um compromisso com a qualidade e o bom gosto / e qualidade e bom gosto nos vamos pinçar nos nossos bairros, o que nós queremos mesmo é fazer jus ao nome: RÁDIO CAMPINARTE - O SOM DAS COMUNIDADES.


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O SHOW DO COMÉRCIO DO CAMPINARTE

Choros, Chorinhos e Chorões





A história do gênero "Choro" começa remotamente em 1808, com a chegada da Família Real ao Brasil. O Rio de Janeiro foi elevado à categoria de sede do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. Logo em seguida, a cidade passaria por uma grande reforma urbana e cultural. Foram criados cargos públicos, o que possibilitou a formação de um novo segmento social, a classe média. Com a corte portuguesa vieram, além de instrumentos como o piano e as danças europeias, alguns gêneros e hábitos musicais, como o minueto, a quadrilha, a valsa e o xótis, que juntos com o lundu, de origem africana e já sedimentado a nossa cultura, foram sendo abrasileirados na forma de tocar. Em julho de 1845, no Teatro Imperial de São Pedro (atual João Caetano), a polca foi apresentada como dança pela primeira vez e virou moda. Segundo o "Charivari", jornal humorístico da época: "Dançava-se à polca, andava-se à polca, trajava-se à polca, enfim, tudo se fazia à polca". Todos esses fatores contribuíram para o início do choro, que surge não como um gênero musical e sim como uma abrasileirada forma de tocar alguns gêneros musicais e danças da época, que assimilamos e reproduzimos com aspectos endógenos. Os instrumentos, de origens europeias, foram ganhando contornos brasileiros na técnica de execução. A clarineta, o violão, o saxofone, o bandolim ou o cavaquinho eram executados inconfundivelmente com o sotaque brasileiro, ainda que, em gêneros musicais estrangeiros. Portanto, possivelmente a partir de 1870, pelo gênio do flautista Joaquim Antônio da Silva Callado Júnior nasce o "choro", oriundo das classes menos abastarda, na cidade do Rio de Janeiro, especificamente nos bairros da Cidade Nova, Catete, Rocha, Andaraí, Tijuca, Estácio e nas vilas do centro antigo, onde esta classe média baixa residia. As maiores influências do choro vêm da polca e do lundu. Inicialmente o choro tinha três partes, posteriormente,passou a ter duas, sempre com características modulantes e de rondó. No final do século XX, o choro voltou a ser uma maneira de frasear as melodias de vários tipos de músicas e foi se flexibilizando, não necessariamente voltando à primeira parte. Alguns pesquisadores acreditam que a palavra "choro" é  derivada do latim "chorus" (coro). Outra vertente de pesquisadores, como José Ramos Tinhorão, afirma que o termo é derivado do verbo "chorar". Os choros lentos (influência dos lundus chorados ou doce-lundu), por parecerem um lamento, lembram o verbo "chorar" e quando os instrumentos de cordas, principalmente o violão, são tangidos ao mesmo tempo para o acompanhamento da flauta, lembram um estado de melancolia. Segundo Luís da Câmara Cascudo, a palavra seria uma derivação de "xolo", certo tipo de baile que os escravos faziam nas fazendas. Da palavra derivou o vocábulo "xoro", que foi alterado para "choro". Já Ary Vasconcelos acredita que a palavra é uma corruptela de "choromeleiros", certa corporação de músicos do período colonial que executavam as "charamelas". Segundo Henrique Cazes, os instrumentos de palhetas "charamelas" são precursores dos oboés, fagotes e clarinetes. Na primeira década do século XX o termo "choro" já denominava  o gênero, como uma forma musical definida e não mais como sinônimo de uma roda de músicos que executavam músicas populares. Considerado "O pai dos chorões", Joaquim Antonio da Silva Callado Júnior (1848-1880) pertenceu à primeira geração do gênero e formou o "O Choro Carioca", o primeiro grupo instrumental de que se tem notícia. Não que no Brasil não se fizesse "música instrumental", segundo J.L. Ferrete: "Muito antes que a primeira nau portuguesa fundeasse em terras brasileiras, perto do fim do século XV, já havia música instrumental no território hoje ocupado por nosso país. Os indígenas aqui preexistentes utilizavam-se de um instrumental musical composto de buzinas, flautas, cornetas e tipos característicos de trompas, tudo feito por búzios, taquaras, cabaças e madeiras ocas, tendo nomes estranhos como membi, boré, mime, uatapu, onfuá, pana e xuatê". Dos vários grupos criados por Callado fizeram parte o saxofonista e flautista Viriato Figueira da Silva, o cavaquinista Baziza, o flautista Pedro de Assis, o violonista Saturnino e o flautista Juca Kalut. Mais tarde foi incorporada a um dos grupos a pianista Chiquinha Gonzaga. Por volta de 1850 o Rio de Janeiro já se tornara uma cidade quase cosmopolita, segundo Drummond, "já liberta da morrinha colonial", e o ao trio flauta, violão e cavaquinho foi adicionado o piano, outra grande contribuição no nascedouro do choro. Dos instrumentos emblemáticos do gênero, destacamos o violão, o piano, a flauta, o cavaquinho e o bandolim. Entre os mais virtuoses violonistas destacam-se João Pernambuco (1853/1947), Quincas Laranjeiras (1873/1935), Satiro Bilhar, como gostava de ser chamado ou ainda Sátiro e Satinho, como também era conhecido (1860/1927) e Tute (1886/1957), entre outros menos conhecidos como Chico Borges, também cavaquinista (circa 1880/1916) e Juca Valle, companheiro inseparável de vários flautistas como Callado, Viriato Rangel e Luizinho. Nos séculos XX e XXI, novos violonistas foram surgindo e imprimindo sua marca ao instrumento: Yamandú Costa, Guinga, Raphael Rabello, Maurício Carrilho, Zé Paulo Becker, João Camareiro e Turíbio Santos, entre outros. Dos grandes pianistas destacam-se Chiquinha Gonzaga (1847/1935) e Ernesto Nazaré (1863/1934), sendo estes os mais conhecidos do gênero, porém, pianistas como Beatriz Ferrão, Amélia de Mesquita e Luiza Leonardo, um tanto quanto esquecidas, ainda que não ligadas diretamente ao "Choro", foram importantes como pioneiras no instrumento. No livro "Selecta Brasiliense", de José Marcelino de Vasconcelos aparece o nome de Beatriz Ferrão. Nascida em Minas Gerais no ano de 1792, é considerada por muitos pesquisadores como a primeira mulher musicista brasileira. A poliglota Beatriz Ferrão escreveu versos em latim, italiano e português em composições para piano. A outra, um pouco mais conhecida, foi contemporânea de Chiquinha Gonzaga e também fez razoável sucesso em Paris. Foi Amélia de Mesquita (Rio de Janeiro 1866 / 1947), irmã do compositor Carlos de Mesquita, seu primeiro professor de piano. Amélia de Mesquita lecionou piano entre os anos de 1875 e 1930, tendo sido a primeira musicista brasileira a compor uma "Missa" completa. Faleceu aos 81 anos quase que esquecida no Brasil, apesar de ter promovido a música brasileira no exterior, principalmente na França a partir de 1877, quando lá chegou. E por último, mas não menos importante, a carioca Luíza Leonardo. Nascida no ano de 1859, exímia pianista, além de compositora e atriz dramática, em 1879, quando de sua estada em Paris, onde estudava, recebeu o "1º Prêmio" no Conservatório de Música de Paris. Segundo o pesquisador Euclides Amaral, no livro "Alguns Aspectos da MPB": "As três pianistas citadas (Beatriz Ferrão, Amélia de Mesquita e Luiza Leonardo) foram importantes para a divulgação da MPB no exterior, sempre executando obras de compositores contemporâneos a elas e, portanto, possivelmente do gênero Choro". Já no século XX surgiram importantes pianistas, de ambos os sexos: Carolina Cardoso de Menezes, Radamés Gnattali e Arthur Moreira Lima. Da novíssima geração, podem ser citados, Leandro Braga, Cristóvão Bastos e Ricardo Camargos. O número de flautistas é muito grande. Destacando-se além de Joaquim Callado, Paulo Augusto Duque Estrada Meyer, professor de vários flautistas, inclusive de Patápio Silva (1880/1907) e Pedro de Assis. Citem-se também Juca Kalut (1857/?), Pixinguinha (1897/1973), Benedito Lacerda (1903/1958), Alfredo Vianna (pai de Pixinguinha) e muitos outros descritos no livro publicado em 1936, "O choro", de Alexandre Gonçalves Pinto, mais conhecido como Animal e que fez o levantamento de boa parte dos nomes da velha-guarda do choro. O cavaquinho tem em Canhoto e Aníbal Augusto Sardinha (Garoto 1915/1955) um dos seus principais executores. De início era usado apenas para acompanhamento, mas, com Waldir Azevedo (1923/1980), ganhou status de solista, muito por conta do sucesso nacional e internacional de "Brasileirinho" (1949). No século XX e XXI surgiram grandes cavaquinistas com "pegada" singular: Henrique Cazes, Alceu Maia, Márcio Almeida Hulk e Mauro Diniz, entre outros. O bandolim Oriundo da família do alaúde é também conhecido na França como "mandoline", onde, inclusive, o instrumento é tão reverenciado que chega a ter um festival somente em louvação a ele, o "Festival Mandolines de Lunel". Também na Itália o instrumento é reverenciado e conhecido por "mandolino". Segundo o pesquisador Arthur de Oliveira: "Codofônico, o instrumento possui oito cordas emparelhadas (quatro duplas) em sol, ré, lá, mi, do grave para o agudo, postas em vibração por um plectro ou palheta. Como a sonoridade do instrumento é fraca, o modo de prolongá-la é obtido pela rápida agitação da palheta. Frequentemente usado na música erudita e para o qual Vivaldi escreveu concertos, assim como Mozart e Beethoven o usaram em suas obras. O compositor Verdi valeu-se dele para criar atmosfera em "Otelo" e "Falstaff". No início do século XX o instrumento veio substituir a bandola nas rodas de choro. Tem como expoentes Luperce Miranda, o multiinstrumentista Garoto, Jacob do Bandolim, Rossini Ferreira, Joel Nascimento, Izaias do Bandolim, Evandro do Bandolim, Armandinho (do Trio Elétrico), Ronaldo do Bandolim, Déo Rian, Pedro Amorim, Nilze Carvalho, Bruno Rian, Carlos Henrique Machado (Baiano), o carioca Hamilton de Holanda, Rodrigo Lessa e o cearense Jorge Cardoso, além do gaúcho Luis Barcelos, da novíssima geração no século XXI, que em 2008 foi um dos convidados do "Festival Mandolines de Lunel" (interior da França), ao lado de outros grandes expoentes no instrumento como Joel Nascimento, Hamilton de Holanda e Pedro Amorim. Outros instrumentos também importantes para o choro em seu nascedouro no século XIX foram o oficleide (substituto do 'serpentão' nas bandas, isto já no ano de 1800), o saxofone, o violão de sete cordas, o bandolim (substituto da bandola) e o pandeiro, incorporado quase 50 anos depois do nascimento do gênero. Fator importante também para o desenvolvimento do choro foram as bandas e os primeiros grupos regionais, destacando-se a Banda do Corpo de Bombeiros, tendo a frente Anacleto de Medeiros (1866/1907), regendo músicos como Irineu de Almeida (professor de Pixinguinha), Carramona (1874/1926), Luís de Souza (?/1920) e Casemiro Rocha e a Banda da Casa Édison, além do regional Grupo Caxangá (precursor do grupo 8 Batutas), Grupo Novo Cordão (1907) e Cavaquinho de Ouro. A partir da década de 1970, o choro, que na realidade nunca deixou de ser tocado em clubes do choro por todo o país (Clube do Choro de Volta Redonda, Clube do Choro de Vitória, Clube do Choro de Brasília), e bares suburbanos como o Sovaco de Cobra, experimentou um momento muito brilhante com o show "Sarau" (1973), de Paulinho da Viola, dirigido por Sérgio Cabral. O show ainda tinha no elenco Copinha e o Conjunto Época de Ouro, liderado pelo já lendário violonista César Faria. Ainda importante para o ressurgimento foram os LPs "Memórias chorando" (1976), de Paulinho da Viola, e "Chorada, chorões e chorinhos", álbum duplo, criado e produzido por Ricardo Cravo Albin e Mozart Araújo (contendo originais de Pixinguinha) e lançado somente como brinde da Companhia Internacional de Seguros para seus funcionário no natal de 1976. Em 1977 foi lançado o disco "Os carioquinhas no choro" (Raphael Rabello, Luciana Rabelo, Celso Silva e Maurício Carrilho). Segundo o violonista Pedro Amorim em artigo para a Revista do Choro nº 2: "Os Carioquinhas foram também a semente da Camerata Carioca que, um pouco mais tarde, transformaria de uma vez por todas o conceito de 'conjunto regional', explorando outras potencialidades desta transformação camerística sob a batuta do genial Radamés Gnatalli". No ano de 1978, outro importante disco seria lançado pela Continental Disco, "Grande instrumentistas da MPB - Série destaque nº 9", organizado e apresentado pelo crítico J.L. Ferrete. Responsável também por boa parte do novo público, a Revista do choro, editada por Egeu Laus, trazia uma enorme gama de informações sobre o gênero, chegando a vários números, com colaborações dos maiores virtuoses em seus instrumentos (Luciana Rabelo, Pedro Amorim, Beto Cazes, Henrique Cazes, Maurício Carrilho, José Fernandes da Silva, Graça Alan, Luiz Fellipe de Lima etc), além de poetas como Paulo César Pinheiro e colaboradores importantes do nível de Mário de Aratanha, Luiz Antônio Simas, Ary Vasconcelos, Sérgio Cabral, Ilmar Carvalho, Hermínio Bello de Carvalho, Sérgio Prata e Muniz Sodré, entre outros. Em 1987 foi lançado um dos discos mais importantes para a história recente do choro, o álbum duplo "Choro - aos mestres, com ternura", organizado e produzido por José Silas Xavier. Gravado em Brasília, o álbum foi oferecido como brinde de final de ano da FENAB - Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil. É considerado uma das obras-primas do gênero, tanto por suas informações e críticas, pesquisadas e escritas por José Silas Xavier, quanto pela atuação dos músicos e do repertório. Fator também importante para esse repique do choro nas últimas décadas do século XX foram os festivais. Os festivais lançaram novos grupos, novos músicos e mais importante ainda, demonstraram a evolução do gênero. No final da década de 1970, a TV Bandeirantes, de São Paulo, promoveu dois festivais de choro: "Brasileirinho" (1977) e "Carinhoso" (1978) . No primeiro foram mais de duzentas composições inscritas, cabendo o primeiro lugar ao bandolinista Rossini Ferreira com a composição "Ansiedade". Destacando-se também, neste mesmo festival, a composição "Espírito infantil", defendida pelo grupo A Cor do Som. A composição classificou-se em quinto lugar, mas o grande mérito ficou por conta da introdução de instrumentos elétricos no choro, no caso a guitarra, mais associada ao rock. Em 1978, na segunda edição do festival, o saxofonista K-Ximbinho venceu com a composição "Manda brasa". As duas edições foram compiladas em disco, lançados pelo Selo Band. No Rio de Janeiro, outro festival viria a fomentar ainda mais a atualidade do gênero, apesar dos 150 anos de existência. As edições do Festival Chorando no Rio reuniram um grande número de compositores e intérpretes. Em uma de suas edições, em novembro de 2001, Zé da Velha e Silvério Pontes, ambos da nova geração do Choro, foram ovacionados pelo público que lotava a Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro. Os espetáculos, também promovidos pelo MIS (Museu da Imagem e do Som), foram transmitidos para todo o Brasil pela TVE (Rede Brasil), com apresentação de Ricardo Cravo Albin. Na edição do ano de 2001 o vencedor foi o bandolinista carioca, radicado em Brasília, Jorge Cardoso. A composição "Balançadinho", de sua autoria, foi incluída no CD "Festival de choro do MIS - chorando no Rio - vários", lançado pelo selo CPC-UMES-Rob Digital. Todas estas manifestações ocorreram simultaneamente às atuações dos renomados músicos, quase sempre em diversos clubes de choro espalhados pelo Brasil em plena atividade neste período de final do século XX e início do século XXI. Destacamos: Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Waldir Azevedo, Déo Rian, Paulo Sérgio Santos, Raul de Barros e Ademilde Fonseca, considerada "A Rainha do Chorinho", pela velocidade com que cantava os choros de rápido andamento. Isto tudo, reiterando que o choro nunca parou. Talvez o mercado fonográfico, na década de 1970, tenha se retraído um pouco para ele, que na realidade, nunca dependeu de modismos, mesmo estando sempre em voga nas camadas mais populares, assim como o samba. Até o início do século XXI, tornou-se ponto pacífico entre quase todos os pesquisadores que existiram cerca de seis gerações de chorões. Cada uma com suas nuances específicas, sensivelmente captadas e repassadas para as melodias, revelando aspectos de seu tempo. Um único elemento preponderante entre todas estas gerações é o curioso fato de que quase todas são compostas, em sua maioria, de funcionários públicos. Sobre este aspecto transcrevemos um comentário do violonista Maurício Carrilho em entrevista ao jornalista Ilmar Carvalho (Revista do Choro): "Somos - comenta o violonista - profundos conhecedores de nossos instrumentos, conhecemos bem música, não paramos de estudar. Garantimos nossa sobrevivência fazendo transcrições, gravações, arranjos, damos aulas, nos apresentamos em shows, espetáculos, recitais e assim conseguimos uma independência: a de sobreviver exclusivamente como músico". Na mesma entrevista, outro memorável músico desta geração, o cavaquinista Henrique Cazes, volta ao assunto: "Nossa geração é a primeira de músicos profissionais que elegeram o choro para valer. Da geração anterior, Joel Nascimento, Déo Rian e Zé da Velha eram e são funcionários, sendo virtuoses em seus respectivos instrumentos. Então a música para eles era diletantismo". Da novíssima geração do choro, ainda em fase de seleção, destacamos Yamandú Costa, Leonardo Miranda, Zé Paulo Becker, Hamilton de Hollanda, Márcio Hulk, Trio Madeira Brasil, Carlos Henrique Baiano, Choro na Feira, Choronas, O Trio, Água de Moringa, Galo Preto, Armandinho e o grupo Tira Poeira, com nome retirado de um clássico choro de Satiro Bilhar. Outro fator importante foi o advento de selos e /ou pequenas gravadoras com cast direcionado para o choro, como é o caso das gravadoras Acari Records e Biscoito Fino. A última tem vários títulos do gênero, entre eles: "Primeiro compasso do samba & choro", chegando ao "Sexto compasso do samba & choro", reunindo uma grande variedade de artistas. Além da série "Princípios do choro - volumes 1 e 2", cada um com três CDs. De importância também, foi o surgimento da gravadora Acari Records, totalmente segmentada no gênero. Entre seus muitos títulos, destacamos os discos de Maurício Carrilho e Álvaro Carrilho. Em 2005 o grupo Trio Madeira Brasil, Elza Soares, Teresa Cristina e grupo Semente, Paulo Moura, Joel Nascimento e Yamandú Costa, entre outros artistas, participaram do documentário sobre o gênero "Brasileirinho", do cineasta finlandês Mika Kaurismaki, radicado no Rio de Janeiro desde o início da década de 1990. O filme foi lançado no "Fórum Internacional do Novo Cinema", uma das mostras paralelas do "Festival de Berlim", na Alemanha. Ainda em 2005 a Comunidade de Prática da Música - Incubadora Cultural Gênesis PUC-Rio, com intuito de adicionar ao calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro, deu início à ação de celebração do "Dia Nacional do Choro", escolhendo a data de 23 de abril, em homenageando ao nascimento de Pixinguinha (23/4/1897).   Em 2015 foi levado à Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro, o "VI Festival de Choro", por iniciativa da Escola Portátil de Música, evento que contou com artistas variados ligado ao gênero. Entre os que se apresentaram nos dias do festival constam o grupo Choro na Feira; Galo Preto; Água de Moringa e Joel Nascimento; Humberto Araújo e Quarteto: Zé Paulo Becker, Manoela Marinho, Paulino Dias e Zero; Camerata Brasilis e Teca Calazans; Marco César, Henrique Annes e João Lyra; Izaías Bueno, Israel Bueno, Déo Rian, Reco do Bandolim, Regional Imperial e Luiz Otávio Braga; Alessandro Penezzi, Rogério Caetano e Bebê Krammer; Os Matutos e Leonardo Miranda; Época de Ouro; Nó em Pingo D’água convida Eduardo Silva; Trio Madeira Brasil e Henrique Cazes; Mauricio Carrilho convida Paula Borghi, Pedro Aragão, Dudu Oliveira, Paulo Sérgio Santos, Marcelo Caldi e Henrique Neto; Quarteto Maogani; Luciana Rabello, Cristóvão Bastos, Pedro Amorim convidam Julião Pinheiro, Magno Julio, Marijn Van der Linden e Naomi Kumamoto; Regional Carioca e Amelia Rabello; Proveta, Toninho Carrasqueira e Pedro Paes; Zé da Velha e Silvério Pontes; Hamilton de Holanda e Yamandu Costa. Neste mesmo ano de 2015, também por iniciativa da Escola Portátil de Música, foi inaugurada na Rua da Carioca, 38, no centro do Rio de Janeiro, a Casa do Choro, tendo com o seus criadores Luciana Rabello (presidente) e Maurício Carrilho (vice-presidente) e ainda, os músicos que compõem a diretoria do Instituto: Pedro Aragão, Celsinho Silva, Jayme Vignoli e Paulo Aragão, além de Conselho no qual constam Paulo César Pinheiro, Sérgio Prata e o escritor Sérgio Cabral, entre outros. Ainda em 2015, no Rio de Janeiro, o MCS (Movimento Choro Suburbano), criado pelo bandolinista Márcio Vinhas e a produtora Cenira Santos, organizou e produziu evento em comemoração do "Dia Nacional do Choro", na Lona João Bosco, no subúrbio de Vista Alegre, no qual também se apresentaram no palco diversos convidados, entre os quais Hamilton de Holanda, Joel Nascimento, Mestre Siqueira, Josimar Monteiro, Antônio Rocha, grupo Cordas Douradas, Choro Suburbano, Sombrinha, Déo Rian, grupo Entre Amigos, Euclides Amaral, Choro dos Pavões, Valdir Silva, Josias Nunes, Carlinhos Sete Cordas, Chapéu de Palha e Dorina. Dificilmente podem-se listar todos os músicos de choro. Porém, alguns nomes são emblemáticos e resumem com categoria os antecessores e, possivelmente, os que virão: Joaquim Antônio da Silva Callado, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Waldir Azevedo, Luperce Miranda, Mestre Siqueira, Raphael Rabello, Chiquinha Gonzaga, Joel Nascimento, Hamilton de Holanda, Yamandú Costa e Joaquim Callado, entre tantos virtuoses em seus instrumentos e importantes compositores do gênero, como Villa-Lobos que compôs um ciclo de 14 choros em homenagem ao que ele chamou de "A essência musical da alma brasileira".   

BIBLIOGRAFIA CRÍTICA:   ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006. AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014. CAZES, Henrique. Choro - Do quintal ao Municipal - Rio de Janeiro: Editora 34, 1999. DINIZ, André. Almanaque do choro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. FERRETE, J.L. LP Grande instrumentistas da MPB - Série destaque nº 9. Rio de Janeiro: Discos Continental, 1978. REVISTA RODA DE CHORO. Nºs Zero, Um, Dois, Três e Quatro. Rio de Janeiro: RioArte, 1995/1996.  MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular.  1. ed. São Paulo: Art Editora, 1977. 2 v. MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular.  2. ed. São Paulo: Art Editora/Itaú Cultural, 1998. PINTO, Alexandre Gonçalves. O choro. Coleção MPB reedições. Rio de Janeiro: MEC/Funarte, 1978. XAVIER, José Silas. LP Choro - aos mestres, com ternura. Brasília: FENAB - Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil, 1987.

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22 de Novembro é dia de Santa Cecília...

Padroeira dos músicos, por isso hoje também é comemorado o dia do músico. O músico pode ser arranjador, intérprete, regente e compositor. Há quem diga que os músicos devem ter talento nato para isso, mas existem cursos superiores na área e pessoas que estudam música a vida toda.
O músico pode trabalhar com música popular ou erudita, em atividades culturais e recreativas, em pesquisa e desenvolvimento, na edição, impressão e reprodução de gravações. A grande maioria dos profissionais trabalha por contra própria, mas existem os que trabalham no ensino e os que são vinculados a corpos musicais estaduais ou municipais.
A santa dos músicos
Santa Cecília viveu em Roma, no século III, e participava diariamente da missa celebrada pelo papa Urbano, nas catacumbas da via Ápia. Ela decidiu viver casta, mas seu pai obrigou-a a casar com Valeriano. Ela contou ao seu marido sua condição de virgem consagrada a Deus e conseguiu convence-lo. Segundo a tradição, Cecília teria cantado para ele a beleza da castidade e ele acabou decidindo respeitar o voto da esposa. Além disso, Valeriano converteu-se ao catolicismo.

Mito grego
Na época dos gregos, dizia-se que depois da morte dos Titãs, filhos de Urano, os deuses do Olimpo pediram que Zeus criasse divindades capazes de cantar as vitórias dos deuses do Olimpo. Então, Zeus se deitou com Mnemosina, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas. Nasceram dessas noites as nove Musas. Dessas nove, a musa da música era Euterpe, que fazia parte do cortejo de Apolo, deus da Música.
Fonte: UFGNet

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