Fundada por Fred Figner em 1900, situada à Rua do Ouvidor nº 107, a Casa Edison (nome-homenagem a Edison, o inventor do fonógrafo) foi um estabelecimento comercial destinado inicialmente à venda de equipamentos de som, máquinas de escrever, geladeiras etc. Após dois anos de funcionamento, tornou-se a primeira firma de gravação de discos no Brasil. No ano de sua fundação, Fred Figner escreveu para a companhia Gramophone de Londres, solicitando que a firma enviasse ao Brasil técnicos para gravar música brasileira. Com a vinda do técnico alemão Hagen, Figner instalou uma sala de gravação anexa à Casa Edison, na Rua do Ouvidor nº 105. Foram então gravados os primeiros discos brasileiros, em seguida enviados à Europa para serem prensados. O jornal "Correio da Manhã" de 5 de agosto de 1902 registrou: "A maior novidade da época chegou para a Casa Edison, Rua do Ouvidor 107. As chapas (records) para gramophones e zonophones, com modinhas nacionais cantadas pelo popularíssimo Baiano e pelo apreciado Cadete, com acompanhamento de violão, e as melhores "polkas", "schottisch", "maxixes" executados pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio, sob a regência do maestro Anacleto de Medeiros". Entre 1902 e 1927, período que corresponde à chamada fase mecânica de gravação, foram lançados cerca de 7 mil discos, dos quais mais da metade pela Casa Edison. Até 1903, a Casa Edison produziu 3 mil gravações, conferindo ao Brasil o terceiro lugar no ranking mundial (estavam à frente os Estados Unidos e a Alemanha). Fred Figner enriqueceu, tornando-se proprietário de tudo o que se produzia em música brasileira. Como próximo passo, montou a primeira loja de varejo do Brasil, com um sistema de distribuição em todo o país, com filiais, vendedores pracistas e produção de anúncios e catálogos. Em 1912, a Odeon Talking Machine instalou uma fábrica de prensagem de discos no Rio de Janeiro e Figner passa a ser vendedor exclusivo da Odeon, recebendo o encargo de fornecer o terreno e construir a fábrica. Esta foi a primeira fábrica de discos instalada no Brasil e a maior da América Latina. Um ano mais tarde, a fábrica Odeon começou a produzir um total de 1,5 milhão de discos por ano, tornando-se o Brasil o quarto mercado de discos. A vendagem de discos durante a Primeira Guerra se mantém, tendo a Casa Edison comercializado 4 mil gravações de música brasileira. Em 1925, a empresa holandesa Transoceanic é encampada pela Columbia Gramophone de Londres, que desenvolveu o sistema de gravação elétrica inventado pela Western Electric. No ano seguinte, a Transoceanic - Odeon afasta Figner, passando a dominar a distribuição de discos no Brasil. Em 1927, Fred Figner entrega o selo Odeon e passa a gravar pelo selo Parlophon. Em 1932, a Transoceanic afasta Figner do negócio de discos. A partir deste ano, a Casa Edison restringiu sua linha de mercadorias a máquinas de escrever, geladeiras e mimeógrafos. Em 1960, encerrou as atividades como oficina de máquinas de escrever e calcular. Em 2002, o Instituto Moreira Salles, em conjunto com o selo Biscoito Fino, com apoio financeiro da Petrobras, lançaram dois livros acompanhados por 15 CDs, produzidos pelo pesquisador Humberto Francheschi sobre alguns dos melhores títulos da Casa Edison.

Fez sucesso até meados dos anos 20, gravando composições consideradas clássicas entre as centenas de sua discografia. A modinha Perdão Emília, de Eduardo das Neves, o tango de Arthur Azevedo, As Laranjas da Sabina, e a toada Caboca de Caxangá, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, são exemplos.
No final da carreira grava Quem Eu Sou, lamentoso e autobiográfico: "Quem eu sou? / Um baiano atirado / Nessas vagas soberbas do mar / Já sem leme, bem perto da rocha / Desse abismo que vai me tragar" - e fecha com uma fala inesperada: "Canto há tantos anos e nunca arranjei nada. Finalmente, consegui um empregozinho nesta casa, com o que vou vivendo, graças a Deus".
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